Jeremiah Wright, o pastor de Chicago que durante quase duas décadas foi o assessor espiritual de Barack Obama, deixou neste sábado a campanha do senador por Illinois pela indicação do Partido Democrata para a disputa presidencial americana.
Segundo fontes de campanha, Wright deixará de ocupar o papel, fundamentalmente cerimonial, que desempenhava no Comitê de Liderança Religiosa Afro-americana da campanha de Obama.
Wright, o reverendo de 66 anos que celebrou o casamento de Obama, batizou suas duas filhas e foi responsável pelo título de seu livro "The Audacity of Hope" (A Audácia da Esperança), é uma figura polêmica devido a seus sermões inflamados.
A controvérsia atingiu seu ápice nesta semana, depois que várias emissoras de televisão americanas divulgaram fragmentos dos citados sermões, em alguns dos quais acusa os Estados Unidos de estimular os atentados de 11 de setembro de 2001 contra Washington e Nova York com sua atuação na esfera internacional.
"Bombardeamos Hiroshima, Nagasaki e bombardeamos com armas nucleares muitas outras pessoas que os milhares [que morreram] em Nova York e o Pentágono e nunca mudamos", afirmou Wright no domingo após os atentados de 11 de setembro.
"Apoiamos o terrorismo de Estado contra os palestinos e os negros da África do Sul e agora somos os indignados porque o que fizemos se volta contra nós aqui", criticou o pastor.
Obama rejeitou na sexta-feira essas declarações e disse que não havia estado em nenhum desses sermões.
"Ele nunca foi meu assessor político, foi meu pastor e os sermões que ouvi dele estavam relacionados à obrigação de amar Deus e o próximo, de trabalhar em favor dos pobres e buscar a Justiça o tempo todo", disse na sexta-feira o pré-candidato presidencial democrata.
Entre os sermões e discursos de Wright que ficaram famosos esta semana está um pronunciado na Universidade Howard em 2006 (Washington), no qual se referiu ao racismo nos Estados Unidos.
"Este país foi fundado e é dirigido segundo um princípio racista (...). Acreditamos na superioridade branca e na inferioridade negra e acreditamos nisso mais que no próprio Deus", disse, então, segundo um trecho publicado na sexta-feira pelo "The Wall Street Journal".
"Todas as declarações alvo de controvérsia (são declarações) que condeno veementemente", disse ontem Obama, ao que acrescentou: "de nenhuma forma refletem minhas atitudes e contradizem diretamente meu profundo amor por este país."
Obama afirmou em uma entrevista à cadeia "MSNBC" que não "rejeita" Wright como pessoa.
"Conheço-o há 17 anos", disse o senador. "Ajudou-me a me aproximar de Jesus e da Igreja. Temos uma relação que é como a de um tio que me fala não de assuntos políticos e sociais, mas de fé, Deus e família", acrescentou.
Ele lembrou que o reverendo é muito respeitado em Chicago e em todo o país.
Obama, que compareceu de forma regular à igreja de Chicago na qual Wright era o principal pastor --o reverendo está em processo de aposentadoria--, escreveu em suas memórias "Dreams from My Father" que o religioso havia tido uma profunda influência sobre ele nos anos 90, quando afiançou sua fé cristã.
O pré-candidato democrata ressaltou que tinha se inteirado dos polêmicos comentários de Wright no início de sua campanha, mas mencionou que, devido à aposentadoria iminente do reverendo e aos estreitos vínculos de sua família com a igreja United Church of Christ, não considerou apropriado deixar a igreja.














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