Fonte: Jornal O Povo
Hoje, teólogos devem ser formados em cursos de graduação. O projeto de Marcelo Crivella declara que, para o título, bastaria ter vida contemplativa. A proposta de Victorio Galli é detalhado e prevê a classificação para celebrantes e membros de todas as religiões.
Dois projetos de lei sobre a profissão de teólogo, em tramitação no Congresso, estão causando polêmica pela liberalidade com que conferem diploma a líderes religiosos. Para ser teólogo, bastaria "praticar vida contemplativa" ou "realizar ação social na comunidade", por exemplo.
O primeiro, do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e candidato à Prefeitura do Rio, reconhece o não-diplomado que há mais de cinco anos exerça efetivamente a "atividade de teólogo".
O segundo, do ex-deputado Victorio Galli (PMDB-MT), pastor da Assembléia de Deus, abre mais o leque: "Teólogo é o profissional que realiza liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirige e administra comunidades; forma pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orienta pessoas; realiza ação social na comunidade; pesquisa a doutrina religiosa; transmite ensinamentos religiosos, pratica vida contemplativa e meditativa e preserva a tradição".
A classificação está prevista no artigo 2º do projeto de lei 2.407/07, da Câmara dos Deputados. Esse perfil abrange todos os padres, pastores, ministros, obreiros e sacerdotes de todas as religiões. O número passaria de um milhão, pela estimativa do Conselho Federal de Teólogos (CFT), com base em dados do IBGE. Hoje, teólogos devem ser formados em cursos de graduação.
O presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter), Afonso Ligorio Soares; o professor Paulo Fernandes de Andrade, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) levaram suas objeções a Crivella no dia 20 de dezembro. Mas não conseguiram que ele desistisse do projeto. Segundo a assessoria do senador, ele concordaria em submeter a questão a um debate mais amplo, convocando uma audiência pública. "Os projetos são inconstitucionais, porque interferem na liberdade religiosa e na liberdade de a Igreja se definir internamente, pois é ela que decide quem pode ser sacerdote ou pastor", afirma Soares.
Para o padre Márcio Fabri, professor da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da Arquidiocese de São Paulo e ex-presidente da Soter, o teólogo exerce um serviço confessional que é interno às comunidades, às quais cabe regulá-lo.
O projeto de lei do Senado (PLS 114/2005) recebeu parecer favorável do senador Magno Malta (PR-ES), pastor da Igreja Batista. Enviado para a Comissão de Assuntos Sociais do Senado, está pronto desde quarta-feira passada para entrar em votação. "Acima de qualquer outra profissão, a profissão de fé exige muito mais de vocação e devoção do que de formação acadêmica", afirmou Crivella à reportagem, por e-mail. "Contudo, creio que seja útil, embora não indispensável, uma formação em Teologia".
Questionado sobre sua formação, o senador Crivella respondeu que ela ocorreu "na prática". "Professo o evangelismo desde os meus 14 anos de idade e, a par do ministério que exerci no Brasil, também atuei como missionário por quase 10 anos na África. Assim, a minha formação decorre de uma longa experiência de convívio com Deus e a Sua Palavra".







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