segunda-feira, 14 de julho de 2008

Com o casamento em alta, tem igreja com vaga só em 2010

As piadas populares sempre costumam debochar do casamento, mas o que as estatísticas mostram é que a celebração tradicional da união está na moda entre os paulistas. No Estado de São Paulo, os registros no cartório aumentaram 7,4% em dois anos, mais do que o dobro do crescimento populacional, estimado em 2,7%.
A tendência também pode ser constatada nas igrejas, nos salões de festas e nos prestadores de serviço que trabalham nas festas. As filas de espera são grandes e o espaço livre na agenda é cada vez mais raro, como na Igreja Nossa Senhora das Dores, que praticamente só possui datas a partir de 2010.
Para a pesquisadora no Núcleo de Estudos da População (Nepo), da Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), Elizabeth Bilac, os dados indicam que a estabilidade econômica está incentivando a consumação do matrimônio. "É óbvio que as condições econômicas favoráveis dão mais segurança para os casais oficializarem a relação. O jurista Wester Mack, no século 19, já dizia que o casamento varia junto com o preço do milho", afirma.
No entanto, ela também aponta que o momento econômico pode não ser o único impulsor para a onda de casamentos. Incentivos do poder público também podem estimular os casais a se unir no papel. "Nos últimos anos, têm surgido iniciativas que colaboram nesse sentido, como a gratuidade do registro civil e a promoção de casamentos coletivos", pondera.
Para quem atua diretamente no setor, o momento é de agenda cheia. Reservar data na Igreja Nossa Senhora das Dores, a mais disputada pelos noivos campineiros, é quase impossível. Para 2009, há poucas datas disponíveis apenas durante o mês de agosto, época que os casais mais supersticiosos costumam evitar. Outra dia só será possível em 2010.
"Todo ano a procura é grande, mas em 2008 está bem forte. Nunca a agenda do ano seguinte ficou cheia tão rapidamente quanto agora", aponta a atendente paroquial Tassiana Leite.
Em outras paróquias, a situação é similar. Na Divino Salvador, ainda sobram algumas sextas-feiras em 2008. Para 2009, os meses de fevereiro e abril já estão fechados. Meses ainda distantes, como setembro e outubro, também estão quase cheios. Já na Igreja do Rosário, abertura de agenda significa fila de gente que madruga na espera para conseguir a data almejada.
"Nós começamos a marcar as datas em maio e, logo no primeiro dia, tinha cerca de 20 pessoas na fila antes mesmo de abrirmos as portas", conta a secretária Aparecida Maria de Queiroz.

Festa

O mercado de profissionais diretamente ligados à celebração do casamento também comemora o bom momento. A fotógrafa Rafaela Azevedo, por exemplo, já não tem mais dia livre no restante do ano. Até mesmo no primeiro semestre de 2009 são poucas as datas disponíveis. "As pessoas estão procurando com bastante antecedência, mais de um ano antes da data escolhida", aponta.
O salão de festas Casarão, um dos mais requisitados da cidade, também só tem disponível alguns domingos até o fim do ano. A decoradora Isabel Brandão, proprietária da Isabel Flores e Decorações, ressalta que o movimento tem sido intenso. "Atualmente, estou fazendo de três a quatro casamentos por fim de semana, o que é um número significativo", considera.

Está difícil conciliar datas

A grande procura por profissionais e espaços para realizar a festa de casamento está provocando uma verdadeira dor de cabeça aos noivos na hora de conciliar as datas. A cerimonialista Lu Fiuza, da Casare Cerimonial, que assume a função de gerenciar todos os preparativos, confessa que está encontrando dificuldades para conseguir seguir à risca os desejos das noivas. "A gente sempre acaba dando o jeito. Mas há casos em que adiar a data é inevitável para que tudo seja conforme a vontade do casal", diz.
Em razão desses percalços, a data da cerimônia do casamento da bióloga Eva Chrispim e do artista Rafael Ghencez já mudou algumas vezes. Noivos desde outubro do ano passado, eles pretendiam trocar as alianças em maio deste ano, mas tiveram que marcar para abril de 2009. "Quando fomos agendar as coisas já estava tudo lotado. Os bons profissionais exigem antecedência", conta Eva.
Ainda tiveram que alterar a data mais uma vez, para que tudo se saísse de acordo com o planejado. Agora, o dia já está definido: dia 28 de março de 2009. "Queremos casar num campo aberto e fazíamos questão que fosse num período de pouca chuva e com os profissionais que escolhemos. Vale a pena adiar o casamento para que tudo seja como gostaríamos", explica.

Cosmo

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