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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Bispo diz que é discriminado

Representante da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), cujo guru, o bispo Edir Macedo, define as religiões afro-descendentes como “seitas demoníacas” e responsabiliza a Umbanda, o Candomblé e a Quimbanda “pela destruição do ser humano”, o deputado federal Márcio Marinho (PR), que é bispo da Iurd e vice da chapa de ACM Neto (DEM) à Prefeitura de Salvador, está disposto a quebrar um tabu da sua igreja para garantir os votos do povo de santo. “Se houver convite de Neto ou dos próprios terreiros estarei presente (no candomblé)”, garantiu nesta segunda-feira, 23, o bispo que, no domingo, 22, foi criticado pela comunidade do Terreiro da Casa Branca – um dos mais tradicionais da Bahia – por não estar na comitiva do democrata que visitou o terreiro.
Bispo Marinho primeiro justificou a sua ausência com o argumento de que, aos domingos, “abre mão de tudo para estar no culto da igreja”. Depois disse que “o meu prefeito não me convidou, porque ele respeita esta questão da diversidade”. Em seguida, admitiu que, havendo o convite, e não sendo em dia de culto, não haverá problema. Marinho disse não ter empecilho em visitar uma casa de candomblé, embora se mostre preocupado com a reação da pessoas. “Nos cobram (tolerância) e depois dizem que estamos sendo demagógicos e que é só por causa de voto”, pontuou.
Sobre o eleitorado, assegurou que nas eleições de 2006 recebeu votos de vários terreiros. “Tenho vários amigos de outras religiões, tive voto no candomblé, e na minha família há católicos. Convivo bem, numa relação respeitosa, com todos”, disse o deputado, para quem o ”discriminado“ é ele.
O bispo questionou a reação do ogã da Casa Branca, Willys Andrade, que disse ao candidato ACM Neto que “conhece muita gente do candomblé que até gostaria, mas não vai votar nele por causa do vice”. Indignado, Marinho questiona: “Será que não são eles que estão sendo intolerantes em relação à minha pessoa?”.
Para o parlamentar evangélico, cada um tem a “sua convicção, que é um conceito, e não pode ser confundido com preconceito”. Em 2005, o Ministério Público Federal em Salvador propôs uma ação civil pública na Justiça requerendo a suspensão da venda e a circulação do livro “Orixás, Caboclos e Guias, Deuses ou Demônios?”, escrito por Edir Macedo, guru da Iurd. Os procuradores da República autores da ação, Sidney Madruga e Cláudio Gusmão, consideraram a obra claramente preconceituosa às religiões afro-brasileiras.

CAMINHADA – Radiante com o resultado das pesquisas Datafolha e Ibope, divulgadas neste domingo e nesta segunda, respectivamente, o candidato a prefeito de Salvador, Walter Pinheiro (PT), fez caminhada entre o Retiro e a comunidade do Bom Juá, na tarde desta segunda. O petista apresentou crescimento de seis e sete pontos nas intenções de voto, ficando com 13% em ambas.
No corpo-a-corpo ao lado da vice Lídice da Mata (PSB), Pinheiro distribuiu apertos de mão e comentou os resultados. “Estamos indo ao encontro daquela faixa de 30% dos eleitores que respondeu, desde a primeira pesquisa de A TARDE, que queriam votar no candidato do PT”, pontuou Pinheiro.
Indagado sobre o distanciamento do governador Jaques Wagner da sua campanha (são do mesmo partido), respondeu: “Wagner vai decidir a hora que entra, ou se não entra”, disse. “Acho que isso (pesquisas) reflete o desejo do soteropolitano de ter em Salvador os governos de Lula e Wagner”, completou.

A Tarde
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