Mais de 1.500 indígenas de vários municípios devem comparecer no culto de ação de graças, no sábado
A Missão Evangélica Caiuá completa hoje 80 anos de serviços na Reserva Indígena de Dourados. No próximo sábado a instituição vai receber mais de 1.500 indígenas de vários municípios da região Sul do Estado, como Iguatemi, Coronel Sapucaia, Antonio João, Amambaí, Caarapó e Tacuru, para a festa do aniversário.
Segundo o pastor Benjamim Benedito Bernardes, a programação inicia com culto de ação de graças, às 9h, no templo da Igreja e na Escola Francisco Meireles. Durante todo o dia haverá cânticos, testemunhos, apresentações diversas, ordenação de pastores, entre outras atividades.
"A solenidade é aberta para toda comunidade douradense", comenta o pastor Benjamim, que há mais de quinze anos responde pela administração da Missão, cuja missão é promover o bem-estar físico-social-espiritural dos indígenas.
Os índios recebem assistência médico-odontológica no hospital construído na Missão. Eles disponibilizam ainda de área de lazer, esportes e entretenimento.
História
Segundo trabalho de pesquisa "Nha’aronja Oke" (Porta da Esperança) de Margarida Gennari Bernardes, no início do século XX, mais precisamente, na segunda metade da década de 20, chega a Dourados, ainda uma vila, o reverendo Albert Maxwell, trazido por Rondon. Naquela época a companhia Mate Laranjeira atuava na região, explorando a erva-mate. Os ervateiros dominavam toda a região e começava a se tornar difícil para um grupo indígena manter-se à margem, conservando a vida tribal. Maxwell vai até São Paulo e através do apoio da Comissão Brasileira de Cooperação das Igrejas Evangélicas, em 28 de agosto de 1928, organiza a Associação Evangélica de Catequese dos Índios. Os primeiros missionários fixaram residência na vila, onde mais tarde seria criada a cidade de Dourados, realizando ali o primeiro culto no dia 15 de abril de 1929. Com a ajuda das igrejas, eles compraram terras ao lado da aldeia. A primeira escola indígena da região era chamada de "Escola Diária".
Por volta de 1938, uma epidemia de febre amarela acometeu a aldeia, matando vários índios adultos. As crianças órfãs eram levadas pelo "Serviço de Proteção aos Índios" (SPI) para a Missão. Nasce aí o primeiro orfanato indígena o "Nhanderoga".
O reverendo Orlando Andrade e Lóide Bonfim, trouxeram para a missão, em 1945, a professora Maria Luiza Rodrigues que também exerceu cargo de diretora, criando assim a primeira escola bilíngüe indígena. Em abril de 1962, inicia o trabalho nas aldeias do sul do Estado, com a ajuda dos reverendos Saulo, em Taquapiry; Daniel, em Caarapó; Rubens e Troquez, em Porto Lindo.
Em 1º março de 1963, inaugurou-se o "Hospital e Maternidade Indígena Porta da Esperança", com 38 leitos, hoje ampliado para 50 e com a finalidade específica de atender exclusivamente a população indígena. Em 1972, foi realizado curso de atendente para 45 índios, e implantadas as unidades da Funai nas aldeias dos Carajás, Tapirapés, Apinagés, Javaés, Tuxás, Mutinas, Kaiwás, Terenas e Guaranis. Foi inaugurado também neste ano a "TB" (Unidade de Luta contra a Tuberculose) com 50 leitos. construído através de doações das Igrejas da Holanda e 25% de contrapartida da Secretaria do Estado de Mato Grosso do Sul. Em 1980, é implantado a 5ª série na escola e através do decreto Municipal nº 002 de 24/01/80 é criada a "Escola Municipal de 1º grau Francisco Meireles". Em 1984 assume o reverendo Benjamim Benedito Bernardes, diretor de Campo da Missão e o reverendo Benedito Troquez, vice-diretor.
No hospital, doente tem o serviço de atendimento médico, odontológico, laboratorial, raios-x, ultra-sonografia e até os remédios de graça. A Missão Caiuá atua com sede em Dourados e sete campos avançados ao lado das aldeias de Caarapó, Amambai, Taquapiry, Sassoró, Porto Lindo, Gwassuty e Campestre e nas aldeias de Jacaré, Limão Verde, Kokwe’y, Panambi e Sucury.
O Progresso







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