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domingo, 5 de outubro de 2008

Feitiçaria justifica morte de albinos no Burundi

Violência. Ataques têm como pretexto obter órgãos para poções e amuletos

Assassínios estão relacionados com velhas superstições
Três negros albinos, um homem e duas jovens, foram mortos em menos de duas semanas no Burundi, antes de lhes serem amputados os membros superiores e inferiores numa onda de violência relacionada com feitiçaria.
Os ataques a albinos são frequentes na região dos Grandes Lagos, que abrange o Burundi, Ruanda, República Democrática do Congo, Tanzânia e Quénia, sucedendo ainda na África do Sul e países circunvizinhos. Além de alguma discriminação de carácter racial, o motivo desses homicídios resulta de superstições que permanecem nas zonas rurais.
É uma antiga tradição a correspondência de certas partes do corpo e de alguns órgãos dos albinos a propriedades mágicas, o que justifica a amputação dos membros utilizados em poções e amuletos.
Os casos sucedidos no Burundi, e divulgados ontem na BBC, sucederam na província de Ruyigi, no leste do país, e na localidade de Spès, a 200 quilómetros da capital, Bujumbura. No primeiro caso, um adulto e uma jovem foram assassinados para, em seguida, lhes serem decepados braços e pernas. Na segundo, uma jovem de 16 anos foi atacada em casa, conhecendo idêntica sorte.
Segundo as autoridades, estes actos bárbaros são realizados por bandos criminosos que vendem os membros na vizinha Tanzânia, onde têm grande procura. Números da BBC indicavam que no espaço de um ano já se registaram 26 homicídios de albinos naquele país, todos com o mesmo objectivo.
Na Tanzânia, os albinos mortos de causas naturais ou assassinados têm de ser enterrados em sepulturas cobertas de cimento para impedir que estas sejam violadas e os corpos profanados.
Neste país, o Presidente Jakaya Kikwete nomeou uma deputada albina, Al-Shymaa Kway-Geer, para defender os interesses dos cerca de 173 mil albinos no país. Estes criaram também uma associação para reivindicaram ajudas médicas - os albinos estão mais atreitos a certas enfermidades - e desenvolverem acções contra a discriminação a que estão sujeitos. 
DN

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