sábado, 26 de setembro de 2009

'Perdi tudo o que eu tinha', diz moradora de casa interditada no ABC

Moradores puderam entrar apenas para retirar objetos das casas.
Área atingida pela explosão segue isolada e protegida pela polícia.

A vendedora Elizabeth da Silva, de 52 anos, segue para com sua residência interditada, com
autorização apenas para retirar as roupas da casa.

Para ao menos cinco famílias de Santo André, no ABC, o drama de não poder voltar para casa vai continuar. De acordo com a Defesa Civil do município, pelo menos cinco das 30 casas que tinham sido isoladas depois da explosão de uma loja de artifícios no início da tarde de quinta-feira (24) seguirão interditadas.
Outras cinco foram demolidas, uma parcialmente, nesta sexta-feira (25) depois que os técnicos constataram que as respectivas estruturas tinham sido abaladas pelo impacto da explosão e que ofereciam risco aos moradores.
Além de praticamente perderem tudo o que tinham, os moradores que seguem com as casas interditadas sequer sabiam onde iriam passar as próximas noites. Era o caso da vendedora Elizabeth da Silva, de 52 anos, que mora sozinha de aluguel em uma casa em cima de outro imóvel que fica localizado em frente à loja que explodiu.
A entrada dela na casa só foi permitida na manhã desta sexta apenas para a retirada de roupas e com o acompanhamento do pessoal da Defesa Civil. “Me ofereceram apenas o caminhão para retirar móveis e objetos, mas não dizem para onde posso levá-los. Não tenho apoio nenhum da prefeitura. Por isso, não vou retirar os móveis e vou passar a noite lá dentro”, afirmou a vendedora, com receio de que seus pertences fossem roubados na madrugada.
Apesar disso, ela reconheceu que a casa não oferece condições de moradia. “Perdi tudo o que eu tinha. O impacto da explosão arrancou as janelas e as portas. Até a porta da minha geladeira foi arrancada”, relatou.
Funcionários da prefeitura de Santo André, no ABC, fazem a lavagem das ruas onde ocorreu explosão de loja de artifícios na noite desta sexta-feira.
Ela se recusou a ir para um albergue da prefeitura. “Sou velha, mas não sou maluca. Quero ir para um lugar digno. Se me oferecerem para ir para um hotel, eu vou, mas não para um albergue”, enfatizou.
Questionada pela reportagem, a prefeitura de Santo André informou que enviaria uma nota para explicar a situação das casas ínterditadas e como seria o encaminhamento das famílias. Até pouco antes das 23 de sexta-feira, as informações não tinham sido encaminhadas ao G1.
A vendedora contou que em 2006 ela fez uma denúncia anônima sobre a venda irregular de fogos de artifícios no bazar que explodiu. “A polícia veio e retirou todo o material, mas 10 dias depois ele trouxe de volta e começou a vender novamente”, disse.
A cabeleireira Zilene Teixeira, moradora e dona de um salão de beleza no mesmo terreno onde vive Elizabeth da Silva, também afirmou que perdeu quase tudo na explosão. Ela, no entanto, concordou com que os equipamentos, a maioria danificada, e o que restou de seus móveis fossem retirados do local.
“Vou levá-los para o salão de uma igreja presbiteriana aqui perto. O pastor de lá que se ofereceu para ajudar, porque ninguém da prefeitura diz nada para nós”, relatou. Inconformada, ela não sabia como iria recomeçar a vida. “E não é apenas a minha vida. Dez pessoas trabalhavam aqui comigo. Como vão fazer agora?”, indagou, sobre o futuro incerto.

Às 19h, funcionários da prefeitura iniciaram o trabalho de varrição e lavagem das ruas próximas ao local da explosão. Apesar disso, a área permaneceria isolada e protegida por policiais por tempo indeterminado para evitar saques nas residências.

G1/Notícias Cristãs
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